Os Sinais da Vinda de Cristo e o Fim dos Tempos
"Disse-lhes Jesus: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada."
— Mateus 24:2
"Dize-nos quando sucederão estas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?"
— Mateus 24:3
Três Perguntas, Três Respostas
A cena que abre Mateus 24 é de uma beleza e uma tensão únicas. Os discípulos, admirados com a grandiosidade do templo de Jerusalém, gabavam-se de sua estrutura imponente. A resposta de Jesus os calou: "Não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada." Aquela palavra mexeu com a curiosidade deles de tal forma que esperaram o momento certo — quando estavam no Monte das Oliveiras, o lugar onde o Senhor sempre ia meditar e orar — para fazer três perguntas distintas.
É fundamental que o leitor perceba que as três perguntas dos discípulos não são sinônimas. A primeira — "quando sucederão estas coisas?" — refere-se à destruição do templo e da cidade de Jerusalém. A segunda — "que sinal haverá da tua vinda?" — diz respeito ao retorno glorioso de Cristo. E a terceira — "e do fim do mundo ou da consumação do século?" — aponta para o encerramento desta era. "É preciso termos muita cautela para saber a que pergunta a resposta do Senhor Jesus está se referindo", advertiu o pregador. Confundir essas perguntas tem gerado décadas de interpretação equivocada dos textos proféticos.
Trecho do vídeo: 39:06–47:58
A Destruição de Jerusalém: Profecia Já Cumprida
A primeira pergunta já tem resposta na história. "Durante muito tempo nós ouvimos os pregadores reverberarem com muita veemência que isso vai acontecer no futuro. Mas isso já aconteceu." No ano 70 da era cristã, as tropas romanas lideradas pelo general Tito invadiram Jerusalém, destruíram o templo e derrubaram grande parte do muro. A profecia de que "não ficará pedra sobre pedra que não seja derribada" se cumpriu literalmente naquele evento histórico devastador.
Isso não diminui a magnitude das outras duas perguntas — ao contrário, confirma a fidelidade de Deus ao cumprir exatamente o que prometeu. Se ele cumpriu a primeira palavra com tal precisão histórica, quanto mais cumprirá as promessas ainda pendentes?
Trecho do vídeo: 40:41–41:45
As Dispensações e o Tempo de Deus
Para compreender os sinais do fim, é indispensável ter uma visão ampla das intervenções de Deus na história. Os estudiosos da Bíblia desenvolveram uma construção teológica chamada de dispensações — cada período em que Deus concede ao ser humano uma oportunidade e o testa nela. Na dispensação da inocência, o homem falhou. Na da consciência, falhou. Nos governos humanos, quase todos pereceram no dilúvio — "só escapou Noé, Shem e Yaté". Na dispensação patriarcal, e depois na da Lei, envolvendo a nação de Israel, o povo vacilou mesmo diante do monte Sinai em chamas. "O povo ouvia e ouvia. Mas ainda assim o povo pecou, pouca gente escapou."
Então veio a dispensação da graça. Mas ela também terá um fim. Para entender quando e como, é necessário voltar à profecia das 70 semanas de Daniel. A expressão hebraica usada não indica semanas literais de sete dias, mas sim semanas de anos — portanto, 490 anos. As primeiras 69 semanas abrangem os eventos desde o decreto de reconstrução de Jerusalém até o nascimento, morte e ascensão do Senhor Jesus. Mas os eventos previstos para a 70ª semana nunca aconteceram. "É porque Deus interrompeu a contagem do tempo para incluir o que ele mesmo chamou de dia da salvação" — a dispensação da graça, na qual todas as nações da terra são incluídas na oferta do perdão e da vida eterna.
Trecho do vídeo: 41:45–46:57
Os Falsos Cristos e os Falsos Profetas
Respondendo às perguntas dos discípulos, Jesus começa pelos sinais que perpassam todas as épocas. O primeiro deles está no versículo 4 e 5:
"Vede que ninguém vos engane. Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos."
— Mateus 24:4-5
Esse sinal já se cumpriu em diferentes momentos da história. O pregador relembrou um caso marcante: "Eu fui lá, ouvi — foi o Samiamum, um norte-coreano. Ele disse que estava orando e Deus disse a ele que era o Senhor do segundo advento, que era Jesus que viria a segunda vez. E ele arrastou multidões." Inclusive pessoas da Assembleia de Deus aplaudiam aquele homem. "Eu baixei a cabeça com vergonha." Aqui no Brasil também surgiu o chamado "HH Cristo", que felizmente convenceu poucos.
Contudo, o alerta mais sério não está nesses casos evidentes. "O maior perigo não tá nesses homens, que é fácil identificar a farça deles. O grande problema está no que o Senhor Jesus disse a respeito dos falsos profetas" — aqueles que se apresentam dentro da própria igreja, ensinando doutrinas desconectadas da Bíblia, como se observa amplamente no neopentecostalismo contemporâneo. "Quando a gente analisa o que é ensinado nesse movimento neopentecostal, não tem nada a ver mais com a Bíblia, nem com o pentecostalismo."
Trecho do vídeo: 50:03–52:39
Guerras, Conflitos e os Sinais do Oriente Médio
O segundo grande sinal que Jesus apresenta está nos versículos 6 e 7:
"E certamente ouvireis falar de guerras e rumores de guerras. Vede, não vos assusteis, porque é necessário que assim aconteça, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares."
— Mateus 24:6-7
Guerras e rumores de guerra marcam toda a história humana. Duas guerras mundiais já envolveram quase todas as nações da terra. Mas o conflito que se desenvolve atualmente no Oriente Médio carrega uma dimensão profética particular. O islamismo xiita — o ramo mais radical, presente no Irã, a antiga Pérsia — crê que para forçar a vinda do 12º imã, seu líder messiânico, é preciso provocar guerra generalizada no mundo. "Eles têm que provocar guerra no mundo para forçar a vinda do imã. Por isso que estão atacando até os aliados deles."
Ezequiel 38 e 39 descrevem com precisão uma grande coalizão de nações — identificável com a Rússia (o extremo norte), o Irã (a antiga Pérsia), a Turquia e outras nações — que invadirá Israel por terra. "Eles não vão conseguir destruir Israel nunca, jamais em tempo algum, nem com mísseis." Quando essa coalizão de Gog e Magog invadir, Deus mesmo intervirá: "vai derramar fogo e enxofre do céu e vai destruir. Eles não vão conseguir matar nenhum judeu, nem destruir nada de Israel. E o enterro vai durar 7 meses." O que é notável é que, nessa hora, a igreja já terá sido arrebatada. "Estamos na eminência deles desistirem e formarem a coalizão de Gog e Magog para invadirem Israel. Só que quando isso acontecer, a igreja já foi embora da terra."
Trecho do vídeo: 52:39–59:51
Fomes, Perseguições e o Esfriamento do Amor
As fomes descritas por Jesus não são ficção. Parte delas decorre de questões humanas — negligência, preguiça, má gestão de recursos — mas a dimensão que se aproxima é geopolítica e logística. O estreito de Ormuz, por onde passa um terço do petróleo que abastece o mundo, está no centro das tensões atuais. "Não tem transporte nem de passageiro, nem de carga. A terra vai produzir, mas não tem como transportar, como levar. Então vai vir fome."
Ao mesmo tempo, a perseguição aos cristãos já é realidade em várias partes do mundo. "Na África, em alguns países, eles tocam fogo, trancam as igrejas com o povo lá dentro. É porque a mídia não mostra isso." Na Coreia do Norte, na China, no Irã, cristãos são executados publicamente. "Nós aqui estamos no paraíso. Vamos gemer por eles." O versículo 9 confirma que isso faz parte dos sinais:
"Então sereis atribulados e vos matarão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome."
— Mateus 24:9
E o versículo 12 traz um dos sinais mais assustadores — não guerras ou terremotos, mas algo que corrói por dentro:
"E por se multiplicar a iniquidade, o amor de quase todos se esfriará."
— Mateus 24:12
A iniquidade multiplicada não é sinal apenas do mundo — é sinal dentro das igrejas, dentro das famílias, dentro dos corações. Quando o amor esfria, a traição, o escândalo e o ódio entre irmãos tomam o lugar que deveria pertencer à fé e à comunhão.
Trecho do vídeo: 01:00:22–01:06:44
Perseverança e o Evangelho Pregado a Todas as Nações
Diante de tantos sinais sombrios, Jesus não deixa seus discípulos sem esperança nem sem direção. O versículo 13 é uma âncora:
"Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo."
— Mateus 24:13
"Eu decido. Eu escolho enfrentar tudo e perseverar sendo fiel ao Senhor Jesus. Aconteça o que acontecer, se eu tiver que ser decapitado, que seja; se eu tiver de ser tocado fogo, que toquem — mas serei fiel ao Senhor Jesus, o Rei da Glória, o meu Rei, até o fim e para sempre." Essa é a postura que o evangelho exige diante dos sinais do fim.
E há ainda uma última condição antes do fim, registrada no versículo 14:
"E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo em testemunho a todas as nações. Então virá o fim."
— Mateus 24:14
Enquanto o islamismo xiita pensa em provocar guerras para apressar a vinda do seu líder, os cristãos têm outro caminho: "Nós apressamos, aceleramos a vinda do Redentor, do Rei dos Reis, do Senhor dos Senhores, orando e evangelizando para que haja paz, para que haja salvação na terra." Há duas formas práticas de fazer isso: "Uma delas é orando mais, dobrando o joelho, botando a boca no pó. E a outra é pregando o evangelho, é dando o testemunho do Senhor Jesus por onde quer que a gente passe."
Trecho do vídeo: 01:06:44–01:08:20
Prudência, Vigilância e Oração
Os sinais estão postos. A destruição de Jerusalém já aconteceu — e confirmou a fidelidade de Deus. As guerras, os rumores, as fomes, as perseguições, os falsos profetas, o esfriamento do amor — tudo isso está diante dos nossos olhos. O arrebatamento da igreja antecederá os sete anos da grande tribulação, a coalizão de Gog e Magog, as pragas terríveis descritas no Apocalipse. Depois desses sete anos, ainda virão mil anos de paz. E só então, o juízo final, a nova terra e o novo céu.
"Você e eu precisamos conhecer essas verdades para nos encorajarmos à prudência e à vigilância — e também à oração. Orai e vigiai. O dia e a hora nós não sabemos, mas os sinais estão" — e estão cada vez mais claros para quem tem olhos de fé e ouvidos atentos à Palavra. Que esta geração não adormeça. Que persevere. Que pregue. Que ore. Porque aquele que perseverar até o fim, esse será salvo.
Trecho do vídeo: 01:07:49–01:08:20