A Vinda do Senhor Jesus: Surpresa, Rapidez e Preciosidade
"Mas o dia do Senhor virá como ladrão; nesse dia os céus passarão com grande estrondo, os elementos se desfarão abrasados, e a terra e as obras que nela existem serão queimadas."
— 2 Pedro 3:10
A Longanimidade de Deus e o Chamado à Vigilância
A imagem do ladrão que vem de noite, usada pelo apóstolo Pedro para descrever a vinda do Senhor Jesus, não é uma figura de linguagem acidental. Ela carrega em si três lições fundamentais para o crente que deseja ser encontrado pronto: a surpresa, a rapidez e a preciosidade. Mas antes de mergulhar nessas lições, é preciso entender o coração de Deus por trás de tudo isso.
O Pr. José Lima abre a reflexão lembrando que, embora uma parte vá embora e outra fique, a vontade de Deus é que ninguém se perca. Ele recorre à Palavra para fundamentar isso com toda a clareza: "Deus não retarda a sua promessa, mas é longânimo para convosco, não querendo que alguns se percam." Essa verdade, registrada no mesmo capítulo de 2 Pedro, é o pano de fundo sobre o qual toda a doutrina da segunda vinda deve ser compreendida. Deus não demora por descuido. Ele aguarda por amor.
Trecho do vídeo: 33:40–34:13
A advertência do escritor da carta aos Hebreus ganha aqui todo o seu peso:
"Portanto, se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais o vosso coração."
— Hebreus 3:15
A história de Israel no deserto serve como espelho doloroso. Dos que saíram do Egito com idade acima de vinte anos, apenas dois entraram na terra prometida: Josué e Calebe. Os demais ouviram a voz de Deus e endureceram o coração. O chamado que o Pr. Lima faz à congregação é urgente e direto: "Igreja do Senhor Jesus, põe o coração no trono da graça, une ao Senhor Jesus. Não haja em vocês um coração infiel para se apartar do Senhor." Pai, Filho e Espírito Santo não querem que nenhum de nós fique para trás. Essa não é uma verdade para ser ouvida passivamente — ela exige resposta.
Trecho do vídeo: 34:13–35:46
A Surpresa do Juízo e o Perigo dos Nossos Próprios Julgamentos
Em Mateus 25, versículos 41 a 46, e em Mateus 7, versículos 22 e 23, o texto revela algo perturbador: haverá quem espere salvação e será condenado, e haverá quem julgávamos condenado e será salvo. A surpresa da vinda de Cristo não se limita ao momento do arrebatamento em si — ela se estende ao resultado, ao quem vai e quem fica.
O Pr. Lima aponta com firmeza o equívoco dos nossos julgamentos humanos: "A gente avalia uma pessoa conforme nossos padrões, nossos critérios, que nós olhamos para a aparência, mas o que tá lá no coração só Deus conhece." Há pessoas que, vistas por fora, parecem crentes consolidados, mas por dentro carregam um coração de pedra, incapaz de reconhecer o próprio pecado. E há aquele que "mesmo sendo fraquinho, tropeçando, caindo, se machucando, às vezes se sujando, não desiste — levanta, sacode a poeira, pede perdão. Jesus perdoa, trata as feridas, lava as vestes e a pessoa fica firme."
Trecho do vídeo: 35:46–37:17
Essa distinção é central na doutrina da salvação: não é a perfeição da caminhada que garante o destino eterno, mas a disposição do coração em não se apartar de Cristo. Em contraste, há os que pecam repetidamente e, quando confrontados, "encontram um outro culpado que não seja eles mesmos". A recusa em se humilhar diante de Deus é sinal de um coração que, por mais religioso que pareça, está distante do Senhor.
Trecho do vídeo: 37:17–37:49
A Lição da Rapidez: Em um Nanossegundo, Tudo Mudará
A segunda lição que o texto da noite nos entrega vem da própria natureza da ação de um ladrão: ele precisa ser rápido. O Pr. Lima, com a vivacidade de quem conhece as ruas, recorda os tempos de menino no Rio de Janeiro para ilustrar esse ponto: "As ações dos larápios, dos ladrões, têm que ser rápidas, porque naquele tempo a polícia agia com muita rapidez." E assim também será a vinda do Senhor.
Jesus deixou isso registrado com toda a precisão que a linguagem humana alcança: a vinda do Filho do Homem será como o relâmpago que sai do oriente e aparece no ocidente. Paulo, em 1 Coríntios 15:52, fala em "num abrir e fechar de olhos". O Pr. Lima traz a dimensão científica dessa afirmação com precisão admirável: "Segundo os matemáticos físicos, o nosso piscar de olhos acontece no nanossegundo — a bilionésima parte de um segundo." Nesse intervalo de tempo que sequer conseguimos medir, os mortos ressuscitarão com corpos imortais, incorruptíveis e gloriosos, à semelhança do corpo ressurreto do Senhor Jesus.
Trecho do vídeo: 37:49–40:26
E os que estiverem vivos? Seus corpos também serão transformados, nesse mesmo nanossegundo, para receber a glória que o novo estado exige. Não haverá problema com a velocidade — não porque ela seja menor, mas porque o novo corpo, glorioso e incorruptível, não estará sujeito às limitações da matéria como a conhecemos hoje. "Se tiver pronto, quando chegar a hora, a trombeta toca, o espírito leva a gente. A gente vai estar aqui na terra e de repente já não está mais, já está lá nas nuvens com o Senhor Jesus." A preparação é o único requisito que depende de nós.
Trecho do vídeo: 38:20–40:57
A Lição da Preciosidade: O Que Jesus Vem Buscar
A terceira lição é talvez a mais profunda de todas. Um ladrão não invade uma casa para levar o que é sem valor. Ele vai diretamente ao que é mais precioso. E assim também fará o Senhor Jesus na hora do arrebatamento: "Jesus vai tirar da terra o que for mais precioso. E o que é precioso para ele? Crente lavado e remido no seu sangue. Crente cheio do Espírito Santo. Crente que está disposto a ir com ele pro deserto, por qualquer lugar. Crente que prefere morrer, mas não se aparta do Senhor Jesus."
Trecho do vídeo: 40:57–41:29
Mas essa preciosidade exige que a nossa fé também seja preciosa. O apóstolo Pedro, tanto em sua primeira carta (capítulo 1, versículo 7) quanto na segunda (capítulo 1, versículo 1), ensina que a fé genuína é mais preciosa do que o ouro e a prata. E o ouro, para se purificar das escórias, passa pelo fogo. O Pr. Lima conclui com uma lógica espiritual irrespondível: "Se a nossa fé é mais preciosa do que o ouro e do que a prata, então a nossa fé tem que ser purificada pelo menos oito vezes." Daí vêm as lutas, as dificuldades, as oposições, as tempestades, as calúnias. Não são punições — são purificações.
"Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível que, contudo, pelo fogo se prova, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo."
— 1 Pedro 1:7
Trecho do vídeo: 41:29–42:30
A fé legítima tem uma direção definida: "A fé legítima se dirige a Deus e ao Senhor Jesus com base no que a Bíblia diz. Aquilo que está na Bíblia, ele acredita sem limites, sem reservas." Não há espaço na fé preciosa para superstições, para crenças misturadas, para um evangelho moldado às conveniências humanas. A fé que suporta o fogo e sai refinada é aquela que está ancorada exclusivamente na Palavra.
Trecho do vídeo: 42:30–43:01
Obras Preciosas: O Testemunho de Uma Vida em Cristo
Não basta ter uma fé preciosa — é preciso que essa fé produza obras preciosas. O Pr. Lima recorre a Paulo em 1 Coríntios 3, versículo 12, onde o apóstolo descreve dois tipos de construtores: os que edificam com madeira, palha e feno, e os que edificam com pedras preciosas, prata e ouro. No dia do julgamento, o fogo provará a obra de cada um. Madeira, palha e feno não resistem — viram cinza. Pedras preciosas, prata e ouro, ao contrário, saem do fogo mais refinados.
A distinção não é arbitrária. "Entenda que as obras equiparadas a prata e ouro e pedras preciosas são obras feitas em Deus, pelos motivos de Deus, visando a glória de Deus, usando os recursos de Deus — e nesse caso é o Espírito Santo." Não é o esforço humano que qualifica a obra. É a origem dela. Obras nascidas da carne, ainda que impressionantes aos olhos do mundo, não passarão pelo fogo. Obras nascidas do Espírito, mesmo que modestas e despercebidas, permanecerão para a eternidade.
Trecho do vídeo: 43:01–44:38
A visão dos sete castiçais de ouro em Apocalipse 1, versículos 12, 13 e 20, confirma essa verdade com beleza. Cada castiçal representava uma das igrejas da Ásia. Eram de ouro — o que revela o valor que Deus atribui à Sua Igreja. Mas a condição de ouro se mantém enquanto o castiçal permanece em sua função, sustentado pela coluna central. "Para que tenhamos vida de ouro, precisamos estar no Senhor Jesus, unidos no Senhor Jesus, ligados nele como a vara está na videira verdadeira." Separados dEle, somos "varas imprestáveis, nada a ver com ouro — é madeira, é palha, é feno mesmo."
Trecho do vídeo: 44:38–45:40
A Quarta Lição: A Vigilância e o Que Temos a Guardar
Encerrando as lições, o Pr. Lima aponta para a necessidade permanente de estarmos preparados. Preparação significa vigilância, e vigilância significa guardar o que já nos foi dado. E o que temos? "Nós temos veste de salvação, nós temos firmeza de propósito, nós temos fé." Essas não são conquistas que se mantêm sozinhas. Precisam ser guardadas com determinação, com oração, com comunhão constante com o Senhor.
Trecho do vídeo: 45:40–46:00
A segunda vinda de Cristo como ladrão na noite não é uma doutrina para gerar medo paralisante — é um chamado à consciência viva. Que sejamos encontrados lavados, remidos, cheios do Espírito, com uma fé preciosa e obras que resistam ao fogo. Que nenhum de nós, tendo ouvido a Palavra, endureça o coração. Como o Pr. Lima afirmou com toda a convicção: "Une-se ao Senhor Jesus com todas as forças que você tiver." É essa a preparação que garante que, quando a trombeta soar, estaremos entre os preciosos que o Senhor vem buscar.
Trecho do vídeo: 35:16–35:46